quinta-feira, 21 de junho de 2007

Primeira Pessoa X Terceira Pessoa: O retorno! (parte 1 de 2)



Bom dia pessoas! Gostaria de dizer com grande entusiasmo e felicidade que recebi dois ÓTIMOS comentários no post sobre a discussão sobre Imersão "Primeira Pessoa X Terceira Pessoa"! Tão bons que estarei postando eles na íntegra aqui, como novos posts. O primeiro é do Felipe, aluno da Imagem e Som aqui da UFSCar, ano 2004, que começou argumentando contra meu ponto de vista de que jogos em primeira pessoa são, em geral, mais imersivos. A argumentação é muito interessante e levantou pontos que eu nem tinha imaginado... lá vai!

Olá Fozzy!
Na minha opinião, a imersão de um jogo depende de uma série de fatores, como o som, ambiência, trilha sonora, movimentação, inteligencia artificial dos NPCs, grau de realismo imagético, roteiro, construção de personagens etc(essa lista vai longe).
Todos esses fatores atuam de certa maneira, para te colocar dentro da diegese do game (ou não), sendo o ponto de vista do personagem apenas um dos fatores, e na minha opinião um fator não-decisivo.

Quando conversamos sobre o assunto você me apresentou alguns bons exemplos de jogos em 1ª pessoa que são muito imersivos. Agora lhe pergunto, você analisou com cuidado esses outros fatores que eu citei? Com certeza eles são muito bem trabalhados, e compõe um conjunto de "linguagem" que acaba influenciando na experiência do jogar.

Por exemplo, aquele jogo que você mesmo me passou, me dizendo ser uma experiência emocionante, o DefCon. O grau de realismo imagético daquilo é extremamente baixo, mas o jogo causa sensações extremamente realistas, usando da trilha sonora, efeitos sonoros e principalmente, do imaginário do usuário! Uma pessoa que não tem experiências audio-visuais, literais ou mesmo reais com o horror da guerra dificilmente vai sentir a sensação de desconforto e arrependimento que o jogo causa. Nós que temos um pequeno esclarecimento sobre o assunto podemos trazer centenas de imagens do nosso subconsciente e aquela experiencia torna-se EXTREMAMENTE imersiva.

Outro bom exemplo de imersão seria a série do Katamary Damacy, mas esse eu deixo para o Vitor falar com mais propriedade. Vitor, quão imersivo Katamari pode ser? Oque nos causa aquela porrada de sensações, aquela euforia, que sentimos ao jogar?

Não acho que podemos cravar uma regra em pedra: Jogos de X pessoa são mais imersivos que os jogos de Y pessoa. Acho que temos que analisar vários fatores e daí sim poderemos fazer uma análise séria.

DefCon: http://www.everybody-dies.com/

Katamari: http://katamari.namco.com/

3 comentários:

Pell disse...

Bom, não participei do primeiro debate do assunto, mas, venho dar meu parecer aqui.

Acho que imersão em um jogo, como bem citado no Post de hoje, é muito relativo ao gênero do jogo em si.
Um jogo de RPG, ao exemplo, seria além de desconfortável, nada imersivo se não possuísse uma visão onde você pode ver toda parafernalha (le-se armaduras/armas/helmos/...) do seu personagem.
Afinal, oque te coloca dentro do mundo de um RPG é diferente do que te coloca em um mundo, digamos, de um Shooter. Em um RPG, todo oque importa é a história, o relacionamento entre os personagens, bem como a ambientação e o trajar de cada personagem em si; enquanto que, em um shooter, tais aspectos não são deveras necessários para te colocar no mundo do jogo, basta ter alguns detalhes básicos, como realmente te por nos olhos do personagem, uma boa animação/trilha e voi-la.

Ao meu ver, não chegariamos nunca ao consenso de qual é mais imersivo, dado que, além de relativo a gênero e produção, entra na jogada todo o background (le-se 'conhecimento de vida') do jogador. Como exemplo aquele jogo de medicina (onde você faz operações, suturas e outras coisas) do WII. Eu achei um jogo sem graça, enquanto conheço pessoas que acham um dos jogos mais perfeitos e verossímeis possível.

Hecht disse...

Antes de tudo, parabéns pelo blog fozzy... :) tenho certeza que vou passar um bom tempo passeando por aqui vendo o que essa mente maluca tem pra dizer...
Quanto à imersão, tenho cá meus pontos de vista também...
acho que um ponto importantíssimo é definir a imersão propriamente dita, pois muitos jogos podem ser viciantes e mesmo assim não serem imersivos...
sou viciado em Civilization IV, esse jogo me rouba semanas da minha vida sem eu nem perceber... mas é um tipo de controle do jogador que em momento nenhum se esquece que é um jogo, você realmente não sente nenhuma emoção que saia fora desse quadro...
concordo com o fozzy na superioridade dos jogos em primeira pessoa para isso, a sensação de medo, e de instinto de sobrevivencia tornam jogos do genero uma experiencia diferente de estar movendo peças em tabuleiros...
concordo até certo ponto tambem com o pell que RPGs tem sua maneira tambem de tentar esses resultados, e boa parte disso está na liberdade de decisão, mas quando em uma batalha você quer atacar e tem que passar por tres niveis de menu enquanto os personagens ficam dancando na tela, volta a ser um jogo pra mim...
acho que hoje, outros meios estao sendo bem eficientes, como o lado de se emocionar... por exemplo, quando o teu fiel companheiro morre do seu lado e você sente isso sem pensar "droga, agora é um a menos" e calcular o que vai ter que fazer pra suprir o dano dele pensa "FILHOS DA PUTA! MATARAM O CARA!!! EU VOU É ESBUGALHAR ESSES DESGRAÇADOS!!! AAAAARRRRGGGHHHH" acho que isso é uma bela imersão :D
e parece que os jogos pra emo tão cada vez mais fortes por aí... hehehehe :) vai ser foda para-los agora...
by the way, da uma olhada nesse artigo, hehehehe aproveitando o tema, principalmente os topicos 9 e 11... os caras sao meio malucos, mas é divertido:
http://www.pointlesswasteoftime.com/games/manifesto.html

bom, aquele abraço fozzy....

Lyani disse...

O.O